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terça-feira, 13 de maio de 2014

ANTIGAS FAZENDAS - SERTÃO DOS INHAMUNS: A CASA DO UMBUZEIRO.

ANTIGAS FAZENDAS - SERTÃO DOS INHAMUNS: A CASA DO UMBUZEIRO.
                                                                                       
                                                                       
                                                                           Heitor Feitosa Macêdo

A chamada Casa do Umbuzeiro foi construída pelo padre José Bezerra do Vale, no sertão dos Inhamuns (Aiuaba/CE), por volta de 1721. E nesta habitação viveu o dito sacerdote amancebado com uma índia jucá, com quem deixou larga descendência.
         

Casa do Umbuzeiro entre o o final do séc. XIX e início do séc. XX (Arquivo do Barão de Studart, op. cit.).

       Aparentemente feia, esquálida e soturna, a Casa do Umbuzeiro vale mais do que sua pobre aparência, pois se trata de um testemunho vivo da história do Nordeste, uma icnografia arqueológica que sobreviveu às intempéries de três séculos para descrever o modus vivendi das primeiras comunidades que penetraram o sertão cearense.  
Durante o ciclo do gado, nos Inhamuns, as primeiras bandeiras devassaram o semiárido, dominando os campos com suas alimárias, ao passo que neles se fixaram debaixo de rústicas habitações, constituindo a casa do Umbuzeiro o mais antigo monumento, ainda em perfeito estado, desse período colonial.
         A ocupação do Sertão dos Inhamuns, ocorrida em meados do início do século XVIII, fora feita por gente vinda de várias partes do Nordeste, como a família Bezerra do Vale, pernambucanos que buscavam com a empresa curraleira expandir suas propriedades, dispersando seus gados e chantando suas casas.
         Sem dúvida, durante as primeiras incursões, palmilharam as longas sendas apenas na companhia de outras figuras masculinas, deixando seus filhos e mulheres resguardados em sua terra natal, à espera de alvíssaras.
        Dessa maneira, cortando léguas a pé ou a cavalo, seguiam por estreitos caminhos, rompendo o mato com a fria lâmina de suas catanas. Varando as selvas, tropeçavam em índios a torto e a direito, espichando couro de onças, decapitando serpentes, matando a sede com raízes, deitando-se com as “negras da terra”,[1] fortificados, a priori, em suas rústicas caiçaras.
Nessas estacadas de pau em roda, avançaram paulatinamente sobre o extenso território, lançando a semente bovina pelos campos, erguendo o curral bem ao lado de sua morada, que tomou formas mais sólidas, geralmente, em um traçado cúbico, constante de quatro faces, com esqueleto lenhoso, forjado em varas de sabiá e mourões de aroeira.
Durante a construção de suas vivendas, aos sopapos, entremeavam a argila com os mais diferentes materiais, assim, para dar liga ao barro amarelo, chamado de tauá[2], acrescentavam estrume, sangue de boi[3], óleo de baleia[4] e mel de rapadura,[5] produzindo sólidas e rubras paredes, da mesma cor de seus gibões.
A cobertura ficava a cargo dos artigos da pindoba, de preferência a carnaúba, que, com seu rijo caule, oferecia linhas para suster o telhado, feito com a folhagem da dita palmeira. Mas, conforme as posses de cada um, a cobertura poderia ser confeccionada com largas telhas canais, modeladas nas coxas dos escravos construtores e sobrepostas num engenhoso emaranhado de cedro e vergônteas de pereiro.
Não raramente, engendravam faustosa arquitetura, imitando as construções da Zona da Mata, levantando alvenarias com tijolos, outras vezes com pedra e cal, sobre as quais erguiam altas cumeeiras, em quatro águas, e, por fim, untavam suas espessas paredes com tabatinga misturada à goma de tapioca[6], substituindo a cal, produzindo luzidia brancura.
Ao abrigo dessa tosca engenharia viveram os ascendentes de toda a gente do país, que, somente com o passar do tempo, afastaram-se dessa generalidade, como as edificações na Zona da Mata (Nordeste) e Região Sudeste, que não economizaram no luxo de suas residências, impregnadas do estilo barroco.[7]
Em sede de arte arquitetônica, a manifestação barroca fora eleita como objeto preferencial de proteção legal, não só por sua beleza, mas por ligar-se às elites dominantes da política nacional[8]. Em contra partida, a maioria das antigas construções sertanejas permanece sem o devido resguardo por, atualmente, não gozar da merecida atenção.
Por tudo isso, existe premente necessidade em alçar esse conjunto arquitetônico ao patamar das demais edificações históricas amparadas pela lei, e reconhecer o valor dessas antigas habitações como integrante do patrimônio cultural de um povo que nele traz suas raízes e sua identidade.
Mas o que há de tão especial em uma casa como esta? E a resposta é simples, pois a sua construção possui quase trezentos anos, havendo em sua arquitetura um conjunto de elementos que aponta para uma antiga técnica de edificação utilizada em um determinado período da nossa história.
Argola encravada na coluna de madeira para armar rede.
Para construir a referida casa, o Padre José Bezerra do Vale trouxe artistas (nome pelo qual eram chamados os pedreiros) de Pernambuco, certamente, gente da Zona da Mata, de onde também provinha o dito padre, pois era ele natural de Tracunhaém.
Talvez, por isso, o traçado da casa apresente a mesma disposição geométrica das residências senhoreais da região açucareira de Pernambuco, possuindo a chamada “quatro águas”, ou seja, o seu telhado está disposto em quatro faces triangulares, diferentemente da maioria das outras residências do sertão, que só possuem duas águas.
As telhas são imensas, como a que existe no Museu de Tauá, na qual está gravada a data de 1721. Este telhado é sustido por um forte madeiramento, feito com árvores nobres, o cedro, entrelaçado de forma bem peculiar, ligado por grossos pregos artesanais, ao estilo colonial.
As paredes são um misto de tijolos e barro (massapê), tendo como colunas densos troncos de aroeiras, que circundam uma área de 147.62m2.[9] Em seu interior existia uma camarinha, isto é, um quarto sem janelas, destinado às filhas dos antigos senhores, o que evitava o rapto, bem como os olhares masculinos.  
Visão central do telhado da casa.
Sobre  as suas janelas, há informação de que até o início do século XX, abriam-se, circularmente, de baixo para cima, pois estavam ligadas por gonzos à porção superior do respectivo vestíbulo.
Sob o teto desta antiquíssima construção estiveram centenas de sertanejos, alguns muito ilustres, gente que carrega sobrenomes diretamente ligados ao velho solar, como os Arrais, os Andrade, os Góis, os Bezerra, a família Vale, a família Abath do Crato[10] e tantos outros. Há quem diga que o ex-presidente do Brasil Wenceslau Brás também esteja entre os descendentes do “pecaminoso” relacionamento do padre José Bezerra com a mencionada índia.
Segue o feio e antigo casarão varando os séculos, sóbrio, escornado no lombo de um alto rochedo, bem ao lado do Rio do Umbuzeiro, mirando a vastidão da caatinga, à espera de um reconhecimento mais respeitável e de um tratamento mais condigno em relação a sua história e a sua indiscutível representatividade arquitetônica.
 
Alto em que está erguida a Casa do Umbuzeiro.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Alemão, Francisco Freire, Diário de Viagem de Francisco Freire Alemão, Fundação Waldemar Alcântara, Fortaleza/CE, 2011.

Bezerra, Maria do Carmo de Lima, Notas sobre as Casas de Fazendas dos Inhamuns, Edições do Senado Federal, Vol. 185, Brasília, 2012.

Clerot, Leon F. R., Glossário Etimológico Tupi/Guarani, Edições Senado Federal, Vol. 143, Brasília, 2011.

Freitas, Antônio Gomes de, Inhamuns: Terra e Homens, Editora Henriqueta Galeno, Fortaleza, 1972.

Freyre, Gilberto, Casa Grande e Senzala, 18ª Ed., Rio de Janeiro, Editora José Olympio, 1977.

Macêdo, Nertan, O Clã dos Inhamuns: Uma família de guerreiros e pastores das cabeceiras do Jaguaribe, 2ª Ed., Edições A Fortaleza, Fortaleza/CE, 1967.

Oriá, Ricardo, Uma Nova História do Ceará, 2ª Ed., Edições Demócrito Rocha, Fortaleza/CE, 2002.

Arquivo do Barão de Studart, José Augusto Bezerra (coordenação geral), Fortaleza, Instituto do Ceará, 2010, p. 129.



[1] “Negra da terra” ou “negros da terra” era uma expressão comumente usada para se referir aos aborígenes, índios, no caso, às mulheres indígenas.
[2] Apesar de o escritor José de Alencar dizer que o termo indígena “tauá” significa “barro vermelho” (Ap. Freitas, Antônio Gomes de, Inhamuns: Terra e Homens, Editora Henriqueta Galeno, Fortaleza, 1972, p. 21), é inconteste a posição dos especialistas a este respeito, que são unânimes em considerar a tradução “barro amarelo” para a palavra “tauá” (in Clerot, Leon F. R., Glossário Etimológico Tupi/Guarani, Edições Senado Federal, Vol. 143, Brasília, 2011, p. 480). 
[3] Bezerra, Maria do Carmo de Lima, Notas sobre as Casas de Fazendas dos Inhamuns, Edições do Senado Federal, Vol. 185, Brasília, 2012, p. 63.
[4]Macêdo, Nertan, O Clã dos Inhamuns: Uma família de guerreiros e pastores das cabeceiras do Jaguaribe, 2ª Ed., Edições A Fortaleza, Fortaleza/CE, 1967, p. 59.
[5] No Cariri cearense, na cidade do Crato, conta-se que o Beato José Lourenço construiu a parede da pequena barragem do Rio Caldeirão utilizando na mistura mel de rapadura e azeite de mamona (entrevista feita a Raimundo Batista de Lima, com 70 anos de idade, zelador do Sítio Caldeirão, na tarde do dia 18/09/2014). Ainda no Cariri, a memória do povo também registra o uso das casas de cupim (cupinzeiro) na composição da argamassa das antigas habitações. Em Missão Velha, essa tradição foi colhida pelo pesquisador João Bosco.
[6] Alemão, Francisco Freire, Diário de Viagem de Francisco Freire Alemão, Fundação Waldemar Alcântara, Fortaleza/CE, 2011, p. 334, p. 363 e 414.
[7] Sobre isto, disse Gilberto Freire: “A unidade econômica formava-a o solar - a mansão senhorial de taipa ou de barro amassado, avó da casa-grande de engenho brasileiro” (In Freyre, Gilberto, Casa Grande e Senzala, 18ª Ed., Rio de Janeiro, Editora José Olympio, 1977, p. 231).
[8] Oriá, Ricardo, Uma Nova História do Ceará, 2ª Ed., Edições Demócrito Rocha, Fortaleza/CE, 2002, p. 237.
[9] Bezerra, Maria do Carmo de Lima, Notas sobre as Casas de Fazenda dos Inhamuns, Brasília, Edições do Senado Federal, Volume 185, 2012, p. 74.
[10] Andrade, José Ailton Alencar, Um Galho do Umbuzeiro: Um Registro Genealógico da Família Alencar - Andrade dos Inhamuns, Fortaleza, 2013, p. 30. 

sábado, 10 de maio de 2014

ANTIGAS FAZENDAS - SERTÃO DOS INHAMUNS: A CASA DO ESTREITO

ANTIGAS FAZENDAS - SERTÃO DOS INHAMUNS: A CASA DO ESTREITO
                                                                                         
                                                                          
                                                                             Heitor Feitosa Macêdo
        
         As antigas habitações humanas ajudam a contar parte da história dos povos sob múltiplos aspectos, no que concerne à técnica, aos hábitos e costumes, dentre outras matérias correlatas. Tudo isto possibilitando a análise do passado a partir das antigas construções que abrigaram os personagens motores da nossa história.

Casa do Estreito, Arneirós/CE.
          O “homem colonial” arranchou-se primeiramente em nichos que pouco variavam das cavernas pré-históricas, verdadeiras choças, algumas circulares, de influência indígena, algumas de palha, outras entremeadas com barro e pedra. Pouco depois, predominou a casa quadrangular, espalhada pelos sertões há algumas centenas de anos.
         Essas vetustas edificações de alvenaria tendem a extinguirem-se pelas intempéries naturais, mas outro fator preponderante reside no hábito nefando de o sertanejo não preservar devidamente os principais monumentos representativos de sua história. Neste sentido, poucos são os que hesitam em danificar as antigas casas abandonadas para retirar-lhes a matéria prima, reaproveitando-a em construções mais recentes e menos significativas.
         Essa ameaça visa tanto às portentosas casas senhoreais quanto os casebres construídos durante o ciclo do gado. Indiscriminadamente, a predominante construção de rústica taipa, ou as edificações de pedra e cal, são alvos da incúria dos “matutos” que, levados pela globalização cultural, alinham-se à moderna uniformização de suas residências.
         Assim, inicialmente arrancam-lhe as telhas canais, enormes, moldadas em eras passadas sobre as coxas dos cativos. Em seguida, extraem a grossa madeira de lei que reveste o vertical telhado, geralmente composto de cedro, imune aos cupins, penetrável apenas pelos grossos pregos artesanais, que unem o madeiramento, este, lavrado a golpes de machado por carpinas das eras passadas.
        
Ruínas da Casa do Estreito.
     Em seguida, vitimam as paredes centenárias que, com espessuras superiores a um metro de largura, suficientemente resistiriam a uma bala de canhão. Os casarões dos antigos senhores paulatinamente convalescem pelas mãos que lhes retiram os imensos tijolos, os quais ainda guardam em suas superfícies as marcas de dedos dos seus remotos construtores, certamente escravos-pedreiros.
       Algumas vezes, em vez do tijolo adobe, a casa é composta de pedra e cal, conferindo grande solidez ao conjunto arquitetônico. As pesadas lascas de imensas pedras, entremeadas pelo hidróxido de cálcio, obtido a partir de outras rochas, formam verdadeiro penedo habitacional, à semelhança dos fortes medievais. Em razão disto, tais casas haveriam de transpor séculos, não fosse a deletéria ação humana.

         Ao final, apenas uma pequena elevação de terra recobre o antiquíssimo alicerce, que o sertanejo chama de murundu, e, por vezes, ainda repousa nessa superfície algum fragmento de telha ou tijolo, como cruzes postas sobre túmulos de cadáveres anônimos, devorados pelo tempo.
         Essas catacumbas dormem silentes, penetrando no esquecimento, uma a uma, enquanto o concreto armado invade os campos, cheio de ferro e cimento, bem acima dos primeiros lares de nossa antiga gente.
         Em razão disso, é premente registrar uma dessas edificações, hoje, literalmente arruinada. Trata-se da casa da Fazenda Estreito, localizada no município de Arneirós/CE, à margem direita do Rio Jaguaribe.
         A história dessa edificação confunde-se com a trajetória dos seus moradores e das gerações que se sucederam sob o seu teto. Portanto, cabe mencionar o seu primeiro senhor, o célebre Coronel João de Araújo Chaves.
         Desde o início da ocupação do território cearense a família do dito coronel esteve presente, pois seus bisavós haviam migrado do Baixo São Francisco (Penedo/AL), durante a expansão do ciclo econômico do couro, compondo as primeiras levas de desbravadores daqueles sertões.
         À época dessa migração, tal grupo já era abastado, porém, na Capitania do Ceará, haveria de conquistar enorme poder, através dos “serviços reais”: devassando o território, capturando índios e pagando tributos à Coroa, ao passo que adquiriam patentes do oficialato, bem como terras de sesmarias de sertão adentro.
         Por relevantes razões o governo português malquistou-se com os Araújo Chaves, tratando-os com verdadeira mão de ferro. Um dos motivos deu-se por conta de o referido grupo ser confundido com os seus primos, os Feitosa, envolvidos na guerra de 1724. Apesar da participação discreta dos Araújo Chaves neste conflito, a indistinção entre as duas famílias fora inevitável, ganhando foros de generalidade.
         O outro motivo deu-se quase cem anos depois que os Araújo Chaves se alocaram no Ceará, quando enfrentaram grande percalço, ao que tudo indica, em decorrência de seu crescente poder, o que causava incômodo às autoridades. Este momento é representado com a prisão do dito Coronel Manoel Martins Chaves em 1805, realizada pessoalmente pelo governador João Carlos Augusto d'Oeynhausen e Gravembourg, Marquês de Aracati e afilhado da Rainha D. Maria I, a Louca.[1]
         Os Araújo Chaves dominavam hegemonicamente o cume da Ibiapaba, na região Norte do Ceará, na Serra dos Cocos, enquanto que nos Inhamuns dividiam o poder com os seus parentes, os Feitosa.
         Entre os bisavós do Coronel João de Araújo Chaves destacam-se o Capitão-mor José de Araújo Chaves e o Coronel João Ferreira Chaves, irmãos que haviam se tornado grandes latifundiários no território cearense, principalmente no Acaraú e nos Inhamuns.
         Na Ribeira dos Inhamuns, mais precisamente no Rio Carrapateira, em Tauá/CE, apeou-se o avô paterno do Coronel João de Araújo Chaves, com igual nome e mesma patente militar. Então, o primeiro Coronel João de Araújo Chaves era o fundador da Fazenda Carrapateira, sendo sucedido por seu filho, homônimo, o Sargento-mor João de Araújo Chaves. 
         O Coronel João de Araújo Chaves “do Estreito” era, desde o seu avô, o terceiro com este mesmo nome. Havia nascido em “berço de ouro”, fato que se somaria ao seu talento militar, possibilitando sua ascensão como uma das figuras mais destacadas da época.
         Ao que tudo indica, foi o edificador da Casa do Estreito, pois é o primeiro a ter o seu nome ligado à dita propriedade, ou seja, “Coronel João de Araújo Chaves do Estreito”. Entretanto, a data da construção deste imóvel não é conhecida, podendo-se apenas presumir que tenha ocorrido no início do século XIX.[2] 
         Depois de atingir a idade adulta, João de Araújo Chaves (futuro Coronel de Cavalaria) adentrou a vida militar, na qual lograria grande sucesso. À época, ao lado da liderança militar estava o poder da administração pública, sendo o oficialato, além de um dever beligerante, também uma incumbência política. Nesses termos, o Coronel João de Araújo Chaves (do Estreito) substituiu ao pai, o Sargento-mor João de Araújo Chaves[3], no ônus militar e na gestão pública.
          Mas todo esse poderio era dividido principalmente com um dos irmãos do dito Coronel, o riquíssimo Antonio Martins Chaves, domiciliado na Fazenda São Bento, possuidor de setenta e cinco fazendas[4] e o último Capitão-mor do Ceará[5]. Este, já ancião, no dia 11 de março de 1851, era chefe do partido liberal, e encontrava-se preso por conta da perseguição promovida pelos membros da família Fernandes Vieira.[6]
         Esses dois irmãos haviam contraído casamento dentro da família Feitosa, sendo todos ligados ao partido liberal. O Capitão-mor Antonio Martins Chaves casou-se com D. Maria Primeira de Araújo Chaves (filha do Capitão Leonardo de Araújo Chaves e D. Rita Alves Feitosa),[7] enquanto que o Coronel João de Araújo Chaves contraiu núpcias com D. Josefa Alves Feitosa (filha do Tenente-coronel Eufrásio Alves Feitosa)[8].
         Os feitos militares do Coronel João de Araújo Chaves estão intimamente ligados aos principais episódios bélicos da época, iniciando o exercício de tais funções a partir de 1823, na “Guerra de Independência do Brasil”, depois, em 1824, quando participou contra a Confederação do Equador, e, em 1832, guerreando contra Joaquim Pinto Madeira, na chamada “Guerra do Pinto”.
        
Ruínas da Casa do Estreito.
         Pela arquitetura da referida casa, com detalhes bastante requintados para os sertões daquele tempo, com platibandas, biqueiras, alvenaria de pedra e cal etc., é provável que tenha sido construída no início do século XIX. Representando não só um estilo arquitetônico, mas o modus vivendi dos sertanejos das eras passadas.
       Por fim, atualmente, o solar do Estreito foi desapropriado pelo Governo Federal, encontrando-se em ruínas, ilhadas pelas águas do Jaguaribe, prestes a entrar em total esquecimento. Certamente, a história da Casa do Estreito confunde-se com a história de um povo, estando ameaçada pelo abandono e pelo descaso público.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


Bezerra, Maria do Carmo Lima, Notas sobre Casas e Fazendas dos Inhamuns, Brasília, Edições do Senado Federal, Volume 185, 2012.

Chandler, Billy Jaynes, Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns: A História de uma Família e uma Comunidade no Nordeste do Brasil – 1700-1930, Fortaleza-CE, Edições UFC, 1981.

Freitas, Antônio Gomes de, Inhamuns (Terra e Homens), Fortaleza-CE, Editora Henriqueta Galeno, 1972.

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, O Cearense, 1º de abril de 1852, p. 02, disponível em:  http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=709506&pesq=  Acesso em: 20/03/2013.






[1] O Coronel Manoel Martins Chaves foi acusado da morte de um juiz ordinário Antonio Barbosa Ribeiro, na Vila Nova Del’Rei, atual cidade de Guaraciaba do Norte.
[2] Maria do Carmo Lima Bezerra registra que a dita casa teria sido erguida na segunda metade do século XVIII, porém, afirma que seu fundador teria sido o “Coronel José de Araújo Chaves”, o que não condiz com realidade, pois não há nenhum indivíduo com este nome, José de Araújo Chaves, utilizando a patente mencionada, de coronel (In Notas sobre Casas e Fazendas dos Inhamuns, Brasília, Edições do Senado Federal, Volume 185, 2012, p. 100).
[3] Freitas, Antônio Gomes de, Inhamuns (Terra e Homens), Fortaleza-CE, Editora Henriqueta Galeno, 1972, p. 69.
[4] Chandler, Billy Jaynes, Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns: A História de uma Família e uma Comunidade no Nordeste do Brasil – 1700-1930, Fortaleza-CE, Edições UFC, 1981, p. 158.
[5] Chandler, Billy Jaynes, Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns: A História de uma Família e uma Comunidade no Nordeste do Brasil – 1700-1930, Fortaleza-CE, Edições UFC, 1981, p. 61.
[6] Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, O Cearense, 1º de abril de 1852, p. 02, disponível em:  http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=709506&pesq=  Acesso em: 20/03/2013.
[7] Feitosa, Leonardo, Tratado Genealógico da Família Feitosa, Fortaleza-CE, Imprensa Oficial, 1985, p. 60.
[8] Ibidem, op. cit., p. 59.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

História do Cariri: Crianças e Adolescentes

História do Cariri: Crianças e Adolescentes
                                                                       
                                                                           Heitor Feitosa Macêdo
        
         O Cariri cearense, antigamente chamado de Cariri de Dentro ou Cariris Novos, para distingui-lo do Cariri Paraibano, fica ao Sul do Estado do Ceará, estando sua história intimamente ligada à trajetória das crianças e adolescentes, no que concerne a evolução de seus direitos. 
        
Crianças do Caldeirão, Crato/CE.
            No interior da Capitania do Ceará, a ocupação deu-se posteriormente à do litoral, principalmente no Cariri. Levas de portugueses, paraibanos, maranhenses, baianos, pernambucanos, sergipanos, alagoanos, norte-rio-grandenses, e até mesmo os próprios cearenses alocados em outras paragens, migraram para a fecunda terra, repleta de mananciais.[1] Todos esses indivíduos traziam consigo alguns poucos negros, e bastantes índios que os fortificavam e os ciceroneavam.
         Curiosamente, conta a tradição que a descoberta do Cariri deu-se a partir do sequestro de um "menor", negro, o qual era escravo de um potentado ligado à Casa da Torre (propriedade dos d’Ávila, descendentes do famoso Caramuru). Entre tais índios cresceu o dito escravo, até que retornou à Bahía em busca de auxílio para os aborígenes, deflagrados em cruenta guerra.[2] Desta forma, esse "menino" fora o responsável por ensinar aos bandeirantes o caminho até o Cariri cearense.
         Há época da chegada dos colonizadores, no final do século XVII e início do século XVIII, o Cariri era palco de constantes conflitos indígenas, havendo destaque para os Cariris, já radicados naquela localidade há muitos anos, em razão do que combatiam os invasores: Cariús, Calabaças e Inhamuns. E, nesta contenda, as crianças não escaparam a cólera dos seus antagonistas. Sobre este acontecimento registrou a antiquíssima tradição oral que:

Horrível carnificina fizeram os Cariris em seus inimigos, a  ponto  de comprazerem     de untarem-se com os miolos das crianças, cujas cabeças quebravam  contra  os paus,  pegando-as  pelas  pernas.  Algumas caboclas moças foram  presas,  levadas  para  o  acampamento e depois atadas umas às outras e precipitadas na Cachoeira.[3]
            A "Cachoeira" mencionada é a de Missão Velha, primeira localidade onde esses índios foram aldeados. Posteriormente, mais dois aldeamentos foram criados, o de Missão Nova, e outro por nome de Missão do Miranda[4], onde frades capuchinos administravam os dogmas da fé católica, principalmente para as crianças, por serem menos arredias. Com o passar dos anos, este último aldeamento ganhou foros de povoamento, originando a Vila Real do Crato, depois cidade do Crato. Não foi à toa que, em 1838, o inglês George Gardner descreveu este aglomerado nos seguintes termos: "Toda a população da Vila chega a dois mil habitantes, na maioria todos índios ou mestiços que deles descendem". 
         Nesse interregno, tal localidade havia atraído as atenções de toda a região, principalmente por conta das idéias que nela haviam eclodido. Alguns de seus habitantes vertiam de entusiasmo revolucionário, enquanto outros, não menos empedernidos em suas convicções, cuidavam em manter a velha ordem. Desta feita o povo do Crato tomou parte na revolução pernambucana de 1817; voltando a pegar em armas pela independência do Brasil, em 1822; como se não bastasse, em 1824 participou ativamente da Confederação do Equador; além do levante armado de 1832, a "Guerra do Pinto". Decerto, essa parte do "sertão" cearense, estava habitada por gente denodada e pensante, em pé de igualdade com os principais centros urbanos do país.
         Apesar de o esclarecimento intelectual permear por entre aquela gente, não foi o bastante para extirpar alguns maus tratos que as suas crianças sofriam, inclusive nas escolas. Aliás, esse era o método usual em todo país. E, na época em que a província encontrava-se sob o governo do ex-revolucionário cratense[5], José Martiniano de Alencar, o castigo nas escolas foi regulamentado por iniciativa da Assembleia Provincial, em 20/09/1836. Deliberou-se que os alunos poderiam ser castigados com palmatoadas, desde que não excedessem a quatro por dia.[6] Mas isso não foi suficiente, pois os "bolos legais" multiplicavam-se conforme o deleite da autoridade em sala.
         Os alunos do Liceu, em Fortaleza/CE, foram menos afortunados, por conta do Regulamento nº 19 de 4 de Junho de 1845, que trazia o título "Da polícia das aulas", permitindo ao professor da primeira cadeira castigar os seus pupilos com pancadas de palmatória, de no máximo doze. Toda essa severidade seria temporariamente extinta em 24 de dezembro de 1849, quando o presidente da Província do Ceará sancionou uma lei que punha fim aos castigos físicos nas escolas. Mas isto causou descontentamento nos pedagogos da época, forçando a Assembleia Legislativa a restabelecer o castigo do bolo, desde que não ultrapassasse de seis ao dia.[7]
         Para ilustrar o malefício desse sádico método de ensino, frise-se o que ocorrera em Juazeiro, no ano de 1858, quando o professor do primário, Padre Antônio de Almeida, foi acusado de ter quebrado com pancadas de palmatória as cabeças de alguns dos seus alunos. No entanto, esse tratamento indigno dado às crianças e adolescentes não se restringia às escolas, como acentua o historiador Irineu Pinheiro:[8] "Nos próprios lares não se tratavam com a doçura que êles mereciam. Proibindo-lhes participar da conversa das pessoas grandes. Ouvissem caladinhos, não fizessem a menor pergunta. Isso veio até o comêço deste século".
         Desde muito cedo, o Cariri, em especial o Crato, cultivou o ensino. Inúmeras foram as escolas que surgiram ali. Merecendo destaque para a criação do Seminário São José, em meados de 1875[9], para o qual convergiram meninos de todas as regiões circunvizinhas. Neste templo religioso, de culto ao conhecimento, a didática mantinha-se invariavelmente truculenta: "Punia-se, corporal e moralmente, os alunos faltosos com palmatoadas algumas vezes, outras, obrigando-os a passar os silêncios de joelhos, a ficar encostados a uma das colunas do pátio interno durante os recreios, não lhes sendo permitido sair nos feriados, etc".[10]
         No entanto, nem tudo era de todo ruim, pois se a educação impingia maus tratos, também trazia benefícios, como foi o caso das casas de caridade instaladas pelo Padre Antônio José Pereira Ibiapina.
         O Pe. Ibiapina era filho de Miguel Francisco Pereira, membro de uma das principais famílias de Sobral/CE. Os avós paternos do Padre Ibiapina desejavam que o genitor deste seguisse carreira religiosa, contudo, Miguel, seminarista em Olinda/PE, optou pelo casamento com Thereza Maria de Jesus, sendo, por isso, excluído do desfrute dos bens de seus pais, deserdado, o que o levou a seguir para a povoação de Ibiapina, no alto da Serra da Ibiapaba. Esta pequena povoação era um aldeamento de índios tabajaras, edificado pelos jesuítas, lugar em que veio à luz o terceiro filho do casal, o Pe. Ibiapina, em 05 de agosto de 1806. [11]
         Durante a infância e parte da adolescência, acompanhou o itinerário de seus pais, morando em várias cidades, como Icó, Crato, Fortaleza e, em Olinda, onde ingressou no Seminário.[12] Mas findou perdendo prematuramente a mãe, enquanto o pai foi executado em Fortaleza, por ter se envolvido no movimento republicano de 1824. Para piorar, seu irmão mais velho havia sido preso em Fernando de Noronha, onde falecera por afogamento.[13] Mesmo assim, Ibiapina retomou os estudos, e na Academia de Pernambuco alcançou o título de bacharel em direito, no ano de 1832. Daí em diante, veio a exercer várias funções notórias, como Chefe de Polícia, Deputado e Juiz de Direito.[14] Porém, por desgosto com a justiça, abandonou esta última função para abraçar a vida de causídico, a qual desempenhou até o ano de 1850.[15]
         Já maduro, contando com 47 anos, em 1853, Ibiapina volta-se à vida religiosa, alcançando o presbiterato, fato o fez mudar de nome, passando a se chamar José Antônio de Maria Ibiapina.[16] Então, peregrinando pelos sertões do Nordeste, municiado de impressionante eloquência, realizou construções em favor dos pobres, a partir de capital privado, adquirido através de doações. As benfeitorias consistiam em açudes, hospitais e cemitérios. Mas o seu maior legado foi a criação das Casas de Caridade que, dentre as suas finalidades, destacava-se a de abrigar e educar as meninas órfãs. Essa empreitada tinha como um de seus objetivos combater o abandono, os maus tratos e a prostituição infantil, bastante comum, principalmente em anos de miséria.
         O contexto enfrentado pelo abnegado advogado dos pobres era o de uma época em que a exploração humana estava respaldada na oficialidade, e, não raramente, alguns indivíduos abusavam desse direito. Pelas leis e costumes daquele período, o trabalho escravo restringia-se aos africanos e seus descendentes, contudo, houve quem dilatasse essa condição, inclusive sexualmente, cativando os libertos, não escapando as crianças e adolescentes, tudo isto, mesmo depois da abolição, conforme relato de Eduardo Campos[17]:

Sucederia assim  até mesmo depois de declarados livres os escravos no Ceará (25 de março de 1884). Nesse ano, recalcitrantes continuavam alguns proprietários agrícolas inflingindo maltratos físicos a pessoas mantidas a seu serviço, obrigando-as a executarem trabalhos acima de sua capacidade normal. Pela Constituição de 17 de dezembro de 1855 chamava-se a atenção do presidente da Província "para socorrer umas pobres donzelas, orphãs desvalidas, uma d'ellas com educação primaria e de familia, mocinhas que tiveram o infortunio de com a secca ficarem sem paes e  serem   apanhadas  pelo   portuguez José Antônio de Medeiros,  o qual traz ditas orphãs com a maior pressão possível. Servindo de creadas  de tratar burros, carqueijar  sosinhas de um para  o  outro  sitio, e tudo quanto é  serviço grosseiro, expostas à prostituição...[18]
           
      No Cariri, Missão Velha foi o primeiro lugar escolhido por ibiapina para a instalação de uma Casa de Caridade, inaugurada em 1865. Depois, em 1868 ergueu a Casa de Caridade do Crato, e inaugurada em 1869, neste mesmo ano foram fundadas outras duas, em Barbalha e Milagres.
         Todas ficaram sob os auspícios de gente da terra e regidas por um estatuto que preconizava em seu artigo 1º: "tem dois fins as Casas de Caridade desta Instituição, e vêm a ser a educação moral e o trabalho". Medida bastante previdente, já que a maioria das crianças do sexo feminino era excluída dos estudos, continuando no analfabetismo o resto da vida. O art. 2º tratava da faixa etária das crianças que seriam acolhidas: "recebem-se nestas Casas as órfãs de 5 a 9 anos, sendo pobre e desvalidas". O terceiro artigo versava sobre as atividades ensinadas: "A primeira educação das órfãs é ler, escrever, contar, aprender a doutrina cristã e cozer. Finda esta educação, entrarão nos trabalhos manuais como tecer panos, fiar nos engenhos, fazer sapatos e qualquer gênero de indústria que a casa tenha adotado". Além de educar e profissionalizar as meninas acolhidas, também procurava dar-lhes uma família, a começar por um cônjuge: "Logo que as órfãs tenham completado a primeira e a segunda educação, estando em idade conveniente, serão casadas à custa da Caridade".
         Nessas Casas, a "roda dos enjeitados"[19] (roda dos expostos) foi peça indispensável, pois as crianças indesejadas pelos pais poderiam ser postas aos cuidados das irmãs de caridade, evitando o abandono cruel e outros prejuízos às crianças, como o infanticídio e o aborto. Essa roda era um método utilizado na Europa desde o final do século XII, e parece ter chegado no Brasil em 1734, na Santa Casa de Misericórdia da Bahia. Funcionava da seguinte forma:

A  Roda  era  formada  de  uma  caixa  cilíndrica  giratória  com  abertura  que coubesse um  recém-nascido  e  coincidisse  com  outra  abertura  feita  na  parede ou muro externo da casa.  Dessa  forma  a  criança  era  colocada  pelo  lado  de fora e,           girando o cilindro, estava  acolhida  pelas pessoas de dentro da casa, permanecendo no anonimato  quem  a  abandonou.  Uma  campainha anunciava a chegada do novo morador da casa![20] 
            
       Cabe salientar que a rejeição de menores não era coisa nova, muito menos o acolhimento dos abandonados, e, mesmo depois de aventarem-se essas instituições de caridade, o amparo por parte de outras famílias continuou paralelamente, representando as antigas formas de adoção, “adoção a brasileira”. Isto pode ser facilmente atestado pela leitura dos velhos assentamentos de batizados e casamentos das Igrejas Católicas.[21] Ressalte-se que a mãe da heroína Bárbara de Alencar também foi adotada, ou melhor, exposta, como se dizia naquele tempo, no ano de 1760.[22]
         Infelizmente, tais medidas não foram suficientes para eliminar de vez os maus tratos feitos às crianças no Cariri. Esta região fora maculada, em sua história, pela ação funesta das classes dominantes, no episódio ocorrido no Caldeirão do beato[23] José Lourenço, que, tendo formado uma comunidade baseada na distribuição igualitária da produção agrícola e na propriedade comum, atraiu a antipatia dos potentados circunvizinhos, por conta da progressiva escassez da mão de obra barata. Além disso, a Igreja Católica, representada pela Ordem dos Salesianos, declarou-se dona do pedaço de terra em que havia se instalado a comunidade, já que a propriedade de tal gleba pertencia ao Pe. Cícero, o qual havia cedido a posse da mesma à comunidade liderada pelo beato. A questão ganhou gravidade quando o exército e parte da polícia estadual atacaram a comunidade.[24]
         O alvo, composto por sertanejos pobres e monges inofensivos, também era formado por inúmeras crianças, que não foram poupadas no embate que se seguiu. Para atestar essa atrocidade, após o massacre, 16 crânios de crianças foram encontrados em um cipó, entre a vegetação ao derredor do sítio Caldeirão.[25]
         Desta feita, no Cariri, início do século XX, completa-se o ciclo de conquistas e regressos quanto aos direitos da criança e do adolescente. Pois, desde o início de sua ocupação, experimentou a mistura de raças e costumes, ficando sua história a confundir-se com a sorte de suas crianças. Seguindo um modelo mais amplo, universal, no qual os menores nem sempre ficaram isentos de maus tratos, apesar das garantias conquistadas de fato e de direito ao longo dos tempos.  




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Araripe, Tristão de Alencar, História da Província do Ceará: desde os tempos primitivos até 1850, 2ª Edição, Fortaleza, Tipografia Minerva, 1958.

Araújo, Padre Antônio Gomes de, A Cidade de Frei Carlos, Crato/CE, Faculdade de Filosofia do Crato, 1971.

Brígido, João, Apontamentos para a História do Cariri, Fortaleza, Expressão Gráfica Editora Ltda, 2007.

Campos, Eduardo, Revelações da Condição de Vida dos Cativos do Ceará, Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto, 1984.

Carvalho, Ernando Luiz Texeira, A Missão Ibiapina, Passo Fundo, Editora Berthier, 2008.

Cordeiro, Domingos Sávio de Almeida, Um Beato Líder: Narrativas Memoráveis do Caldeirão, Fortaleza, Imprensa Universitária, 2004.

Farias Filho, Waldemar Arraes de Farias, Crato: Evolução Urbana e Arquitetura (1740-1960), Fortaleza, A Província Edições, 2007.

Feitosa, Aécio, Casamentos Celebrados nas Capelas, Igrejas e Fazendas dos Inhamuns (1756 - 1801), Fortaleza, 2009.

Macedo, Joaryvar, Temas Históricos Regionais, Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto, 1986.

Moreira, José Roberto de Alencar, Vida e Bravura: Origens e Genealogia da Família Alencar, Brasília, CERFA, 2005.

Pinheiro, Irineu, O Cariri: Seu Descobrimento, Povoamento, Costumes, Fortaleza, FWA, 2009.
______________, Efemérides do Cariri, Imprensa Universitária do Ceará, 19



[1] Macedo, Joaryvar, Temas Históricos Regionais, Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto, 1986, p.99.
[2] Brígido, João, Apontamentos para a História do Cariri, Fortaleza, Expressão Gráfica Editora Ltda, 2007, p. 11. 
[3] Ibidem, op. cit., p. 13.
[4] Araripe, Tristão de Alencar, História da Província do Ceará: desde os tempos primitivos até 1850, 2ª Edição, Fortaleza, Tipografia Minerva, 1958, p. 57.
[5] Moreira, José Roberto de Alencar, Vida e Bravura: Origens e Genealogia da Família Alencar, Brasília, CERFA, 2005, p. 212.
[6] Pinheiro, Irineu, O Cariri: Seu Descobrimento, Povoamento, Costumes, Fortaleza, FWA, 2009, p. 168.
[7] Idem.
[8] Ibidem, op. cit., p. 169.
[9] Farias Filho, Waldemar Arraes de Farias, Crato: Evolução Urbana e Arquitetura (1740-1960), Fortaleza, A Província Edições, 2007, p. 116.
[10] Pinheiro, Op. cit., p. 167.
[11] Carvalho, Ernando Luiz Texeira, A Missão Ibiapina, Passo Fundo, Editora Berthier, 2008, p. 23-24.
[12] Op. cit., p. 26.
[13] Op. cit., p. 27.
[14] Op. cit., p. 28.
[15] Op. cit., p. 30.
[16] Op. cit., p. 33-34.
[17] A escravidão no Ceará foi abolida em 1884, por isso o título de "Terra da Luz".
[18] Campos, Eduardo, Revelações da Condição de Vida dos Cativos do Ceará, Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto, 1984, p. 44.
[19] Pinheiro, op cit., p. 149.
[20] Carvalho, op cit., p. 52.
[21] Para exemplificar veja-se: "08/08/1763 - Casamento de Antônio Mateus da Silva Braga, exposto (sic) na casa do Capitão Cosme Ferreira da Silva, com Maria Lima Lopes, nascida em Santo Antão da Mata..." (Feitosa, Aécio, Casamentos Celebrados nas Capelas, Igrejas e Fazendas dos Inhamuns (1756 - 1801), Fortaleza, 2009, p. 51).
[22] Araújo, Padre Antônio Gomes de, A Cidade de Frei Carlos, Crato/CE, Faculdade de Filosofia do Crato, 1971, p. 54.
[23] "Ibiapina foi o precursor dos beatos no Nordeste" (Domingos Sávio de Almeida Cordeiro, 2004, p. 73).
[24] O ataque à comunidade do Caldeirão deu-se em dois momentos, primeiro em 11/07 de 1936, como registrou Irineu Pinheiro (Efemérides do Cariri, 1963, p. 218), e em 11/05 de 1937, momento da "chacina" (Cordeiro, 2004, p. 53).
[25] Cordeiro, op cit., p. 106.