Considerações sobre os Goulart
que vieram para o Cariri cearense
Autor: Eugenio
Arcanjo
O padre Antônio Gomes de Araújo destaca
a ausência, entre os povoadores, no início da ocupação do sul do Ceará, da
grande maioria dos sesmeiros legais. Donos de muitas terras, limitavam-se a
solicitar mais terras, vendendo-as posteriormente, embora tenha havido notáveis
exceções.
Heitor Feitosa Macedo, citando Nertan Macedo e o Padre Antônio
Gomes, lembra que “entre os ancestrais do escritor José de Alencar, dois deles podem ser citados como uns dos primeiros
colonizadores dos sertões
do Nordeste. O primeiro, Leonel de Alencar Rego, no início do século XVIII,
havia tomado em arrendamento terras pertencentes à Casa da Torre,
nas fraldas da Chapada do Araripe, do lado pernambucano. O segundo, Antonio de Souza
Goulart, sogro de Leonel, obteve algumas léguas de
terras também no sopé da mesma chapada,
porém, do lado cearense”.
Após a fase de
expansão do gigantesco feudo da Casa da Torre, seus proprietários começam a
arrendar e vender parcelas de suas terras. Na região da encosta sul da Chapada
do Araripe, uma das adquirentes foi a d. Brígida Rodrigues de Carvalho, que
ocupou extensa faixa à esquerda do Rio São Francisco, até às fraldas da
Chapada, no atual município de Exu.
Antônio de Souza
Goulart, segundo informações das quais eu não tenho documentação, era natural
da cidade de Salvador e foi casado com Maria da Encarnação de Jesus. Juntos,
foram os posseiros no Brejo da Salamanca, sítio da atual Barbalha. Casaram a
filha Maria da Assunção de Jesus com Leonel de Alencar Rego, os que deram
origem à progênie mais destacada dos Alencar no Brasil. Além de Leonel, outros
três irmãos, se se considerar Marta de Alencar Rego um deles, todos oriundos de
Portugal, da região norte do Reino.
Do lado dos Goulart,
os irmãos eram Antônio, José e João de Souza Goulart, co-fundadores da terra
barbalhense, sendo o primeiro o que teve mais proeminência histórica.
A 27 de fevereiro de 1717, 18 léguas de
comprido (três léguas de comprido com uma de largo para cada um) são concedidas,
conjuntamente, a Felix da Fonseca Jaime, ao tenente-coronel Antônio Mendes
Lobato e Lira, ao capitão Francisco Martins de Matos, ao tenente-coronel José
Bernardes Uchoa, ao sargento-mor Venceslau de Montes Pereira e ao capitão
Gregório de Montes e Souza, “começando as ditas datas nas ilhargas do rio
Salgado, pegando da paragem chamada Ingazeira, com toda a largura que se acha,
buscando o sul até entestar com a serra grande chamada Serra do Cariri
(Araripe) pela beira da serra acima e as nascenças, chamadas a Lagoa do Carité
pela língua do gentio”.
Um desses sesmeiros, o capitão
Francisco Martins de Matos, doará, em 22 de julho de 1718, parte da terra ao
baiano Antônio de Souza Goulart.
Além de receber essa doação, o capitão
Antônio de Souza Goulart, junto com seu irmão José de Souza Goulart e mais
Manuel Ferreira da Fonseca, José Bernardes Uchoa (sesmeiro de 1717), Amaro de
Souza e Domingos da Rocha Tavares, obtêm mais 18 léguas de terra, a 11 de
outubro de 1718, “pegando da lagoa e buscando as cabeceiras do rio Salgado”,
dizendo “ter descoberto uma lagoa que o gentio chama Oachihé que fica na serra
do Cariré [Cariri] e deságua no riacho da cachoeira [Missão Velha]”. É possível
que estas terras se situem para o lado de Missão Nova, uma vez que o riacho da
Cachoeira desce da serra do Araripe para o rio Salgado. Observe-se que o
terceiro irmão, João de Souza Goulart, não comparece nessa concessão.
Antônio de Souza
Goulart estabeleceu-se, portanto, no vale da Salamanca na segunda década do
século XVIII, em companhia de seu irmão, igualmente baiano, José de Souza
Goulart. Com José e outros mais, como dissemos acima, obteve em 11 de outubro
de 1718 três léguas por uma de terras na lagoa Coachilê, desaguando no riacho
da Cachoeira (Pe. Antônio Gomes de Araújo, “Povoamento do Cariri”, p. 88).
Francisco de
Figueiredo Adorno, também natural de Salvador, casado com Francisca da Silva,
foi o sucessor de Antônio de Souza Goulart no domínio do sítio “Lama” (Pe.
Antônio Gomes de Araújo, “Povoamento do Cariri”, p. 61).
Como se vê, portanto, a família do
capitão Antônio de Souza Goulart, baiano de Salvador, está entre as mais
antigas do Cariri. Ele recebeu uma légua de terras em 1718, como gratidão por
ter ajudado o doador, capitão Francisco Martins de Matos, “a povoar” as outras
léguas do doador”, e poucos meses depois obteve a sua própria sesmaria.
A grande maioria dos povoadores adentra
o Cariri após 1720, a grande maioria das famílias entre 1730 e 1750. Dessa
forma, a efetiva ocupação demorou cerca de vinte a trinta anos após o devassamento.
Ressalte-se que é na légua doada que se
situava a Salamanca, pelo que se depreende do processo interposto por sua viúva
em 1732 para recuperar a posse:
“em virtude da dita doação se passara o
dito seu marido da referida légua de terra em o ano de 1718 pondo-lhe o nome de
Salamanca em cujo lugar se assentara com casa (e) lavouras assistindo lá uns
sete ou oito anos”.
O capitão Antônio de Souza Goulart
afasta-se do Cariri devido ao conflito entre os Monte e os Feitosa, indo para o
rio São Francisco de onde vai ao Piauí a negócios, sendo lá assassinado. Em consequência
dessa ausência, o capitão João Mendes Lobato invade as terras, destruindo
roças, lavouras e casas, apossando-se das terras. A viúva, Maria da Encarnação
de Jesus, retorna em 1732 para retomar sua légua e, sendo expulsa, move ação da
qual é vencedora por sentença de 1736.
O capitão Antônio de Souza Goulart e
Maria da Encarnação de Jesus são pais de pelo menos três filhos.
Uma filha, Maria da Assunção de Jesus,
natural de São Pedro Velho, da cidade da Bahia, casa-se com Leonel de Alencar
Rego, natural da freguesia de São Martinho de Frexeira, Arcebispado de Braga,
já residente no sertão de Cabrobó em 1728, ainda solteiro. Sendo Leonel de
Alencar Rego o tronco da família Alencar, do Nordeste. Por eles continua-se a
descendência do capitão Antônio de Souza Goulart.
Esta, em linhas gerais e incompletas, o
retrato da chegada dos Souza Goulart no Cariri, no início do século XVIII.
Sabemos que sobre os Alencar, acima e abaixo na linhagem de Leonel de Alencar
Rego, sempre houve mais pesquisa e divulgação, em farta bibliografia.
Interessava-me, destarte, conhecer um pouco mais sobre o outro lado desse
tronco, o de Maria da Assunção de Jesus, o dos Goulart, portanto.
Dada a fortuna de estudos e
documentação sobre a linhagem dos Alencar, acima e abaixo de Leonel, meu interesse
tem sido em localizar informações sobre o lado de Antônio Souza Goulart.
Ainda que não tenha ainda conseguido
informações e documentações em arquivos brasileiros, encontrei no livro Vlamingen op de Azoren sinds de 15de eeuw – Genealogische
geschiedenis van 17 Luso-Bourgondisch-Vlaamse families Azorianen, de autoria de André L. Fr. Claeys, publicado em
Bruges, em 2011, uma aprofundada genealogia dos Goulart nos Açores, que são,
pelo menos em relação aos que vieram para o sul do Brasil, a sua matriz. Não
deixa de ser absolutamente razoável que tenha sido esta, também, a origem dos
Goulart que vieram pra Bahia e, posteriormente, para o Cariri cearense.
Outra fonte tem sido as genealogias gravadas no
Family Search, que tratam, também, de alguns ramos da família Goulart nos
Açores. Nas árvores acostadas ao site, que são de responsabilidade de usuários
e não do Family Search, tenta-se fazer a conexão dos Goulart açorianos com os
caririenses, porém a pretensa ligação é anacrônica, sem documentos, carecendo,
portanto, de verossimilhança. Entretanto, no que diz respeito aos dados açorianos,
elas apresentam documentação e tem comprovação histórica.
Nesse sentido, esse estudo é uma primeira
aproximação sobre as origens históricas dos Goulart, restando, infelizmente,
ainda por se comprovar a ligação deles com os três Goulart que fundaram o sítio
Salamanca. Não se deixará, entretanto, de se trazer algumas ilações com base,
principalmente, nessas duas fontes.
Em primeiro lugar, que se desfaça uma
imediata confusão comum sobre a origem da família. A sonoridade da palavra
remete a uma possível matriz na França. A pesquisa revela outra base, embora
próxima geograficamente daquele país.
A família Goulart veio,
diretamente, dos Açores, sendo herdeiros de famílias de Flandres, atual Bélgica
e adjacências, que migraram para o arquipélago na segunda metade do século XV.
No auge das navegações portuguesas e ainda antes do descobrimento do Brasil,
Portugal acertou essa imigração coletiva vinda de Flandres para colonizar
aquelas ilhas no Atlântico. Flandres mantinha estreita relações com Portugal e
era um importante centro da indústria de tecidos.
Flandres era uma
região habitada pelos flamengos. Historicamente abrange o norte da Bélgica,
partes da França e dos Países Baixos. O Condado de Flandres foi um estado
europeu independente desde o século IX, de 866, a 1795, quando ocorreu sua dissolução.
Teve enorme importância política em particular no século XIV.
Sua capital era
Bruges e depois Gante. Suas línguas eram o picarda, o flamengo e o francês antigo.
Ao longo da sua história, o Condado expandiu os seus domínios para Hainaut, Namur,
Béthune, Nevers Auxerre e Rethel, incluindo
também os Ducados de
Brabante e Limburg, por meio de alianças matrimoniais com herdeiros destas
terras. Ironicamente, o condado seria anexado pelo Ducado de Borgonha, em 1405,
pelo mesmo motivo.
Flandres era uma
grande região comercial e importante centro de manufaturas têxteis, sendo, por
isso, motivo de disputa pelos reis da França e Inglaterra durante a Guerra dos
Cem Anos.
Ainda hoje, muitos
habitantes dos Açores têm uma estatura de cerca de 1,75 m. Têm uma pele mais
clara, cabelos loiros e olhos azuis. Essa é uma herança da Europa Ocidental, de
Flandres, onde, desde o século IX, povos nórdicos estiveram presentes e
fundaram cidades, particularmente, na Normandia.
Das nove ilhas, a
influência flamenga é mais perceptível nas ilhas centrais – Faial, Pico,
Graciosa e São Jorge –, seja no aspecto físico dos descendentes, nos costumes,
no folclore, na arte e no modo simples de viver. Milhares de colonos flamengos
deixaram a sua marca na cultura das ilhas.
A linhagem dos Goulart nos Açores,
como vimos, tem origem no colono flamengo Louis Govaert (também referido como
Lodewijk ou Ludovicus), que nasceu em Bruges por volta de 1440-1445. Ele chegou
ao arquipélago em 1468, integrando o grupo de colonos liderado por Joost de
Hurtere. Louis Govaert é historicamente reconhecido por ter introduzido nos
Açores a cultura do pastel (uma planta utilizada para tinturaria,
substituída depois pelo índigo norte-americano), atividade que gerou
considerável riqueza para a coroa portuguesa, para os governadores e para a
própria família Goulart.
O nome da família passou por uma evolução fonética e gráfica ao longo
dos séculos, transformando-se de Govaert (que significa “paz de Deus”) para
Govarte, Gouvarte, Gouarte e Gularte, até fixar-se como Goulart, embora formas
variantes continuassem a co-existir.
A obra holandesa mencionada
apresenta três abordagens genealógicas para os Goulart dos Açores, todas com
uma multiplicidade de gerações, até o presente, e que se completam. Entretanto,
como dissemos anteriormente, não alcançam conectar com os Goulart que vieram ao
Ceará.
Nesse sentido, não as
apresentaremos aqui em detalhes, ficando, entretanto, a indicação bibliográfica
para os pesquisadores.
Já as árvores acostadas ao Family
Search apresentam, em resumo a seguinte configuração que, como se vê, é
inverossímil.
Segundo ali consta, o casal que teria dado origem aos Souza
Goulart que que vieram pro Cariri seria Francisco de Souza Goulart
(GHQZ-HMY) e Isabel Silveira (LCRF-LHV). Ora, Francisco de Souza Goulart
nasceu em 22 de fevereiro de 1688, em Topo, Calheta, São Jorge, nos Açores. Ele
era filho de Lucas Goulart de Oliveira e Vitória da Cunha (registro de batismo
em anexo). Ele se casou em 13-11-1724,
quando seu pai já era defunto, com Isabel Silveira, nascida em fevereiro de
1694, na Matriz de N. S. do Rosário da Vila Nova do Topo, em São Jorge, Açores.
Os pais da noiva eram Manoel de Oliveira Teixeira (defunto na data), natural da
freguesia da Matriz, e Maria Silveira, natural da freguesia de Santa Bárbara de
Manadas (o registro do casamento foi removido do FS).
Registro de batismo de Francisco de Sousa Goulart, em
22-2-1688
Apenas por essas datas, já se sabe que ele não poderia ser pai
de Antônio de Souza Goulart, que chegou ao Cariri em 1717, sendo, portanto, seu
coetâneo. Poderia, quem sabe, ter sido seu irmão. O que o site também informa é
que ele teria sido pai de João de Souza Goulart, este nascido em 1733 (também
sem comprovação).
Ao abrirmos a árvore para ver os irmãos de Francisco de Souza Goulart,
não consta ali nenhum Antônio, José ou João de Souza Goulart. Assim sendo, a
questão fica, momentaneamente, em suspenso, até que se tenham comprovações na
cadeia familiar alegada. Complemento aqui com mais alguns dados desta árvore
para deixar registrada a informação e facilitar o trabalho posterior de
genealogistas.
Sigamos o ramo ascendente de Francisco de Souza Goulart.
Lucas Goulart de Oliveira (GQT6-N92), pai de
Francisco de Souza Goulart, nascido em 14-5-1643, em Topo, Calheta, São Jorge, nos
Açores, e falecido em 12-4-1701, na mesma localidade. Ele era filho de João
Goulart (LX91-RWL) e Águeda Dias (LX91-RCV). Ele foi casado com Vitória da
Cunha (GQTX-3KM), nascida em 1647 e data de falecimento desconhecida. Além
de Francisco de Souza Goulart, eles foram pais de Bárbara Goulart (LB18-SD2),
nascida em 1683 e falecida em 1738, que se casou com Joseph de Morais Ramos;
Jorge (GSLK-MG1), nascido em 1685; João Teixeira da Cunha (G6RJ-D6N), que se
casou com Margarida da Costa (G6RN-1DL), falecida em 1719; Simão Gonçalves de
Souza (LZKG-1HM), que se casou com Catarina Teixeira (KJWH-8DW).
Registro de batismo de Lucas Goulart de Oliveira, em 14-5-1643
Vitória da Cunha, esposa de Lucas Goulart de Oliveira, como
dissemos, nasceu em 12 de maio de 1647, em Topo, Calheta, São Jorge, no Açores.
Filha de Simão Gonçalves de Souza (G195-FRB) e Maria da Cunha Teixeira
(GVPD-FPJ).
Batismo de Vitória da Cunha, em 12-5-1647
Registro de casamento de Lucas Goulart de Oliveira e Vitória
da Cunha
João Goulart (LX91-RWL), nascido em 1605, em
Topo, nos Açores, e falecido em 14-11-1669, na mesma localidade. Ele era filho
de Antônio Luís e Bárbara Goulart. Ele foi casado com Águeda Dias
(LX91-RCV), nascida em 1612 e falecida em 21-10-1706, em Topo, nos Açores. Nas
informações sobre João Goulart, o FS agrega a referência para o seguinte
documento: “Vlamingen op de Azoren sinds de 15 eeuw – Genealogische
geschiedenis van 17 Luso-Bourgondisch-Vlaamse families Azoerianen”, de André I.
Fr. Claeys, de 2011, editado em Bruges.
Óbito de João Goulart, em 14-11-1669
João Goulart e Águeda Dias, além de Lucas Goulart de Oliveira,
foram pais de Mateus Goulart Teixeira (L4WT-2YK), 1635-1682, que se casou com
Bárbara Dias Cardoso (L4WT-215), 1638-1660; Antônio Álvares de Oliveira
(GJSN-6R9), 1635-1698, que se casou com Isabel Gatto de Souza (GJSN-K49),
1634-1664; Maria da Luz Goulart (LL7L-L1S), 1636-1716, que se casou com Antônio
Teixeira Brasil (LL7L-2Y1), 1640-1719; Braz Goulart (GF62-MQW), 1637-?; Maria
Goulart de Oliveira (G93Z-CY1), 1640-?, que se casou com Antônio Gonçalves de
Souza (L21H-43Z), 1642-?; e Amaro Dias de Oliveira (GSF9-Y4Y), que se casou com
Catarina Pereira (GSF9-TLK).
Simão Gonçalves de Souza (G19S-FRB), nascido em
1606, em Topo, Calheta, São Jorge, nos Açores, e falecido em 21-7-1667, na
mesma localidade. Era filho de Antão Simão e Ana Dias. Foi casado com Maria
da Cunha Teixeira (GVPD-FPJ), nascida em 1622, em Topo, Calheta, São Jorge,
nos Açores, e falecida em 1684. Era filha de Jorge da Cunha Teixeira e Ana
Goulart, filha de Antônio Luís e Bárbara Goulart.
Óbito de Simão Gonçalves de Souza, em 21-7-1667
No FS, para Simão Gonçalves de Souza, oferece-se a sugestão
bibliográfica para “Notas históricas: Anais do município da Calheta (São
Jorge)”, de Manoel de Azevedo da Cunha e Artur Teodoro Matos, de 1981.
Simão Gonçalves de Souza e Maria da Cunha Teixeira, além de
Vitória da Cunha, foram pais de Antão da Cunha (L196-3MW), 1642-1666, que se
casou com Ana da Cunha (L196-8HS); Antônio (G19S-YH2), 1642-?; Lázaro (G19STWS
e G6ZC-D9X), 1644-?; Amaro Dias de Souza (G5PJ-2WG), 1649-1708, que se casou
com Luiza Dias (GVRF-JDH), 1654-1687; Jorge Goulart de Oliveira (G6ZD-QKH ou
G19S-NM4), 1650-1731, que se casou com Bárbara Carvalho S. Tiago (GK5Y-6TD);
Pedro Dias de Oliveira (GVPD-9KB), 1651-?, que se casou com Antônia Pereira de
Souza (GYDY-98K), 1664-?; Maria (G19S-2Z5 ou G6ZD-CBW), 1653-?; Melchior
(G6ZD-BZC), 1655-?; Manoel (G6ZD-5GH ou G19S-PXT), 1658-?; Tomé Teixeira de
Souza (L1SY-MYH), 1659-?; Luzia de Souza (L143-3B1), 1661-?, que se casou com
Sebastião Marques Brasil (L14S-P4N), 1656-?; e João Teixeira de Souza
(G4T1-L46).
Antônio Luís (KJWH-438), nascido em 1570, em
Topo, Calheta, São Jorge, nos Açores, e falecido em 1º de janeiro de 1651, na
mesma localidade. Ele foi casado com Bárbara Goulart (KJWH-43D), nascida
aproximadamente em 1563 em Topo, Calheta, São Jorge, nos Açores, e falecida em
1º de janeiro de 1649, na mesma localidade. Era filha de Joz Goulart e Maria
Álvares.
Além de João Goulart, Antônio Luís e Bárbara Goulart foram
pais de Diogo Luís Goulart (L62F-F7T), 1597-1666, que se casou com Maria
Álvares de Oliveira (L21H-1F1), 1606-1649; Ana Goulart (KLYC-NGD), 1600-1670,
que se casou com Jorge da Cunha Teixeira (L27X-S18), 1590-1664; Brás Goulart
(G6ZC-B1C), 1600-?, que se casou com Isabel Nunes (G6ZC-YRJ), 1600-?; e Maria
Goulart (G6ZC-28W), 1600-?.
Antão Simão (L27X-WGM), nasceu em 1584, em
São Jorge, nos Açores. Faleceu na mesma localidade, sem data conhecida. Era
casado com Ana Dias (K27M-XJQ), nascida aproximadamente em 1590, nos
Açores. Faleceu na mesma localidade, sem data conhecida. Era filha de Pedro
Dias Gatto e Maria Rodrigues.
Além de Simão Gonçalves de Souza, Antão Simão e Ana Dias foram
pais de Águeda Dias (LZKS-9TC), 1600-?; Bárbara Gatto (GHP9-4GZ), 1612-1677,
que se casou com Antônio Marques Jordão (9ZZY-G3D), 1614-1677; Catarina Gatto
(G4PY-QMP), 1615-?; Sebastião Vicente (9ZZY-G3W), 1617-1650, que se casou com
Catarina Marques Jordão (9ZZY-G3H), 1617-?; Pedro Dias de Souza (GWW7-ZVG), que
se casou com Luzia de Mendonça (GWW7-N2T), 1632-1695; João Dias (GNSD-XZT),
?-1635; Luzia Dias (GXDJ-85X), ?-1652; e Pedro Dias (G6ZQ-K92), ?-1698.
Jorge da Cunha Teixeira (L27X-S18), nascido em 1590, em
Calheta, São Jorge, nos Açores, e falecido em 10-11-1664, em Topo, Calheta, São
Jorge, nos Açores. Era filho de João Dias de Águeda e Maria da Cunha. Foi
casado com Ana Goulart (KLYC-NGD), nascida aproximadamente em 1600, em
São Jorge, nos Açores. Faleceu em 20-11-1670, em Topo, Calheta, São Jorge,
Angra do Heroísmo, nos Açores, filha de Antônio Luís e Bárbara Goulart.
Além de Maria da Cunha Teixeira, Jorge da Cunha Teixeira e Ana
Goulart (que era filha de Antônio Luís e Bárbara Goulart), foram pais de
Vitória da Cunha (KLZR-WTF), 1617-1646, que se casou com Lucas Gatto de Souza
(LDHT-119), 1608-?; Catarina da Cunha Goulart (KJWH-862), 1636-1672, que se
casou com João de Morais Fernandes (GJTV-GGP), 1634-1714; Belchior da Cunha
Teixeira (P7QW-1VZ), 1636-1695, que se casou com Catarina Teixeira de Souza
(GSBP-G86), 1632-?; Bárbara Teixeira Goulart (LZDR-X86), 1638-?; Luzia da Cunha
Goulart (KJWH-XG6), 1643-1668, que se casou com Pedro Dias Gatto (KJWH-XG8),
1631-1667; João Dias (GDYD-P6F), ?-1639; Isabel da Cunha (GDYD-5G4), ?-1649;
Antônio da Cunha (G68L-XS3), que se casou com Catarina Marques Simões
(9ZZY-KCZ), 1633-?; e Gaspar Dias de Águeda (GJB3-FXF).
Joz Goulart (GZNC-X3H), pai de Bárbara
Goulart (esposa de Antônio Luís) nasceu aproximadamente em 1520, em São Jorge,
nos Açores, mesmo lugar onde faleceu, não sendo conhecida sua data de
falecimento. Ele era filho de Lodewijk Govaert (GMY5-4NG) e NN Silveira Goulart
(GDJK-Q4X). Joz foi casado com Maria Álvares (GMY5-8ZP), nascida em
Ribeira Seca, Calheta, São Jorge, nos Açores, aproximadamente em 1530, tendo
falecido em São Jorge, nos Açores, sem data de conhecida.
Além de Bárbara Goulart, Joz Goulart e Maria Álvares foram
pais de Maria Clara Goulart (LQRN-R14), 1547-?, que se casou com Lázaro Gomes
de Trozilho (P33Z-3RM), 1545-1633; e Francisca de Oliveira Goulart (G971-YWZ),
1560-?, que se casou com Gonçalo do Amarante (GSF3-Z7L), 1550-?.
Pedro Dias Gatto (L4WT-NSL), pai de Ana Dias
(esposa de Antão Simão), nasceu antes de 1570 e faleceu antes de abril de 1633.
Ele foi casado com Maria Rodrigues (L4WT-NWQ), nascida antes de 1570, em
Topo, Calheta, São Jorge, nos Açores, e faleceu em 16 de novembro de 1638, na
mesma localidade.
João Dias de Águeda (KHPN-KMQ), pai de Jorge da
Cunha Teixeira (esposo de Ana Goulart), nasceu em 1560 e faleceu em 1646. Ele
foi casado com Maria da Cunha (KHCN-YS8), nascida em 1560 e falecida em
1617. Além de Jorge da Cunha Teixeira, eles foram pais de Antônio da Cunha de
Águeda (L276-L4K), 1596-1679, casado dom Bárbara Luís Cerveira (LDT4-VTR),
1619-1678; Adriana da Cunha (GDYD-HNJ), 1600-1635; Gaspar Dias de Águeda
(GLQV-411), 1601-?; Bárbara; Luzia; Maria; Mateus da Silveira; Belchior da
Cunha e Sebastião Dias.
Há mais alguns nomes na linhagem de Francisco de Souza
Goulart, mas encerremos registrando que Joz Goulart, casado com Maria Álvares,
era neto do Luís Goulart (Lodewijk Govaert) que foi o flamengo fundador da
família na ilha, companheiro de Joost de Hurtere.
Do lado de Isabel Silveira, esposa de Francisco de Souza
Goulart (nascida em 1694), sua ascendência não mostra a existência de
“Goularts”, mas tem parentesco colateral com eles em alguns antepassados, como
Bárbara Gatto, já apresentada na linhagem de seu marido.
Feito esse breve resumo, resta inconclusa a busca pelos
antecedentes diretos de de José, João e Antônio de Souza Goulart, ficando,
entretanto, esses caminhos para auxiliar a pesquisa.
Dona Bárbara Pereira de Alencar, 1760-1832
Contudo, uma espécie de conclusão pode-se inferir dessa
compilação que aqui trago. Diz-se, há muito tempo, que o antropônimo “Bárbara”
é típico e frequente na família Alencar, chegando mesmo a dar pista sobre alguém
ser da família Alencar pela simples ocorrência do nome. A principal responsável
por isso é Dona Bárbara Pereira de Alencar, a Heroína do Crato. Sendo a
primeira com o nome, tendo a importância que teve e sendo seguida por muitas homônimas,
consolidou-se essa tradição. Porém, o que temos a partir desse levantamento é
algo diverso. Dona Bárbara Pereira de Alencar era bisneta de Antônio de Souza
Goulart, originário de família açoriana, onde pululavam as “Bárbaras” e onde,
na Ilha Terceira, existe a Freguesia de Santa Bárbara, uma das mais antigas do
arquipélago, anterior a 1489. Além da serra de Santa Bárbara, nas imediações da
freguesia.
Apenas nessa breve genealogia de Francisco de Souza Goulart
que apresentei aqui, aparecem pelo menos 10 “Bárbaras”, mais de uma por
geração. De outra parte, não tenho informação sobre nenhuma Bárbara na linhagem
ascendente de Leonel de Alencar Rego. Portanto, por essas evidências, sugiro
que a partir de agora se retifique essa inferência. Bárbara, que se escreve da
mesma forma em holandês, é nome típico da família Goulart, família que tem
origem na região dos Países Baixos, na antiga Flandres, que veio pros Açores no
século XV, e de onde cresceu e se espalhou para o Brasil e muitos outros
países.
Referências bibliográficas:
Claeys, André L. Fr. – Vlamingen
op de Azoren sinds de 15de eeuw – Genealogische geschiedenis van 17
Luso-Bourgondisch-Vlaamse families Azorianen – Volume II, Bruges, 2011.
Family Search, https://www.familysearch.org/pt/tree/pedigree/portrait/GHQZ-HMY
Árvore baseada em Francisco de
Souza Goulart
Macêdo Feitosa, Heitor – Sertões
do Nordeste I – Inhamuns e Cariris Novos, A Província Edições, Crato – CE,
2015.







